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Planeta deve esquentar 1,5ºC nos próximos anos, terra terá eventos climáticos extremos irreversíveis, diz ONU

O aquecimento global é pior e mais rápido do que se temia. Por volta de 2030, dez anos antes do que se estimava, poderá alcançar o limite de +1,5 ºC, com riscos de desastres "sem precedentes" para a humanidade, já sacudida por ondas de calor e inundações. Os dados foram divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, no dia 9 de agosto.

A menos de três meses da cúpula do clima COP26 em Glasgow (Reino Unido), os especialistas climáticos das Nações Unidas (IPCC) responsabilizaram o ser humano por essas alterações e advertiram que não há outra opção além de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa.

O primeiro relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas em sete anos, aprovado na sexta-feira por 195 países, analisa cinco cenários de emissões, do mais otimista ao mais pessimista. Em todos eles, a temperatura do planeta alcançaria o limite de +1,5 ºC em relação à era pré-industrial por volta de 2030, dez anos antes do previsto nas estimativas de 2018. Antes de 2050, esse limite seria superado, chegando inclusive a +2 ºC se as emissões não forem reduzidas drasticamente.

Esse cenário representaria o fracasso do Acordo de Paris, que pretendia limitar o aquecimento global abaixo de +2 ºC ou, se possível, de +1,5 ºC.

O planeta já alcançou +1,1 ºC e começa a sofrer as consequências: incêndios que arrasam os Estados Unidos, a Grécia e a Turquia, chuvas diluvianas que inundam a Alemanha ou a China, termômetros beirando os 50 ºC no Canadá. 

Mesmo limitando o aquecimento a +1,5 ºC, ondas de calor, inundações e outros eventos extremos aumentarão de forma "sem precedentes" em sua magnitude, frequência, localização ou época do ano em que ocorrem, adverte o IPCC.

Diante da necessidade de reduzir à metade as emissões antes de 2030 para cumprir com a meta de +1,5 ºC, todos os olhares se voltam para a cúpula de líderes mundiais de novembro em Glasgow.

Por enquanto, só metade dos governos revisaram suas metas iniciais de redução de emissões. Os compromissos adotados após o Acordo de Paris de 2015 levariam a um aumento da temperatura do planeta de +3 ºC. Isso se fossem respeitados, porque no ritmo atual, o mundo esquentaria +4 ºC ou +5 ºC.

Entre essas projeções sombrias, o IPCC traz um resquício de esperança. No melhor cenário, o aquecimento poderia voltar ao limite de +1,5 ºC, se as emissões forem reduzidas drasticamente e se for absorvido mais CO2 do que o emitido. Mas as técnicas que permitem recuperar em larga escala o CO2 na atmosfera ainda estão sendo estudadas, aponta o IPCC.  

O relatório indica que algumas consequências já são "irreversíveis". O degelo dos polos fará com que o nível dos oceanos continue aumentando durante "séculos ou milênios". O mar, que já subiu 20 cm desde 1900, ainda poderia aumentar mais meio metro até 2100 mesmo que o aquecimento seja mantido a +2 ºC.

Por Cristiane Capuchinho - Repórter da Rádio França Internacional - Paris

Fonte: Repórter Jota Silva, via Agência Brasil












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