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Caso Henry: Dr. Jairinho pretendia fugir após matar o menino, diz promotor

FOTO: VITOR BRUGGER/AM PRESS&IMAGES/ESTADÃO CONTEÚDO

O vereador do Rio de Janeiro Dr. Jairinho e a mãe da criança, Monique Medeiros, suspeitos de torturar e matar o menino Henry Borel, de 4 anos, estavam de “malas prontas pra fugir”. A declaração foi dada à CNN na última quinta-feira (8) pelo promotor de Justiça, Marcos Kac.

Segundo  o promotor, duas malas de viagem foram encontradas cheias de roupa durante a diligência da Policia Civil na manhã desta quinta-feira, que decretou a prisão temporária do casal.

O vereador e a esposa devem permanecer presos pelos próximos 30 dias.

“A tentativa de fuga do casal serviu para confirmar ainda mais o que a investigação já havia apurado. Chegamos no momento certo, se não eles poderiam ter fugido”, ressaltou o promotor de Justiça.

Marcos Kac disse que além das malas, o vereador e a esposa tentaram se livrar dos celulares no momento da abordagem. Ele explicou dois aparelhos foram jogados pela janela, mas posteriormente foram recuperados.

O delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), também confirmou em coletiva realizada que “não resta a menor dúvida sobre a autoria do crime”. Ele explicou ainda que a morte de Henry Borel aconteceu em decorrência de uma dilaceração hepática, lesões no pulmão e outros hematomas pelo corpo.

Damasceno disse que a rotina harmoniosa da família “era uma farsa”. E frisou que Monique Medeiros sabia das agressões e optou mentir para a polícia para “proteger o assassino do próprio filho”. Dr. Jairinho e Monique Medeiros são investigados por tortura e o homicídio do menino Henry Borel.

Com informações da CNN Brasil


Entenda o caso Henry:

O garotinho Henry Borel tinha apenas quatro anos quando deu entrada num hospital do Rio de Janeiro sem vida e com vários hematomas no corpo. Um mês depois da morte, a mãe e o padrasto, um vereador da cidade, foram presos por serem os principais suspeitos do crime. A polícia brasileira acredita que o menino viveu numa "rotina de violência" infligida pelo namorado da mãe e com a conivência dela.

No dia 8 de março, o Brasil acordou com a notícia de uma morte inexplicável. Um menino de quatro anos, Henry Borel Medeiros, foi encontrado inconsciente no quarto e levado para o Hospital Barra D'or, na zona oeste do Rio, pela mãe, Monique Medeiros, e pelo companheiro, o vereador, Jairo Souza Santos. Quando chegou à unidade hospitalar o menor já não tinha sinais vitais.

O corpo de Henry, que estava repleto de hematomas e edemas, levou os médicos a aconselharam o pai, Leniel Borel, a apresentar queixa na polícia para que a morte do menino pudesse ser investigada. Começava, assim, a montanha russa de um caso que está a chocar os brasileiros pela brutalidade dos factos e pelos contornos macabros que o envolvem.

Mãe e padrasto presos ao fim de um mês de investigação

Monique Medeiros e o vereador Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Doutor Jairinho, conheceram-se no final de agosto de 2020, num almoço na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O romance começou de imediato e dois meses depois já estavam a viver juntos. Monique mudava-se, assim, para o apartamento do companheiro com o filho Henry.

A mãe de Henry confessou, na fatídica madrugada de março, ter acordado com barulhos estranhos vindos do quarto do filho. Ao tentar socorrê-lo, encontrou a criança desmaiada, "com os olhos revirados e sem respirar". À polícia, o casal alegou que o menino tinha sofrido um acidente e caído da cama, mas a autópsia provou o contrário e levantou suspeitas sobre a versão contada pela mãe e pelo companheiro.

Segundo o relatório do Instituto de Medicina Legal, divulgado pelos média locais, as causas da morte foram uma "hemorragia interna" e "laceração hepática", danos no fígado, resultantes de uma "ação forçada", ou seja violenta. "Recolhemos uma série de depoimentos contraditórios, que contrariavam a verdade. Com o evoluir da investigação, conseguimos constatar que a hipótese de acidente era descartada", explicou Marcos Kac, promotor do Ministério Público do Rio, afirmou à G1.

O fato de Jairinho ter tentado evitar que o corpo de Henry fosse examinado no Instituto de Medicina Legal, a frieza dos comportamentos da mãe que nunca chorou a morte do filho, bem como o facto de não terem colaborado na reconstituição do crime no apartamento, fez com que a polícia desconfiasse do casal. Além disso, Monique e o companheiro preocuparam-se em limpar a casa antes de os peritos chegarem e deitaram fora os telemóveis com o objetivo de condicionar a investigação.

Depois de um mês a investigar o crime, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, na quinta-feira, Monique Medeiros e o vereador Jairinho. O casal é acusado de homicídio qualificado, de atrapalhar a investigação e ainda de ameaçar testemunhas para que corroborassem a versão deles.

O casal foi detido na casa de um familiar de Monique, com as "malas prontas para fugir". Numa declaração à CNN, Marcos Kac revelou que foram encontradas duas malas cheias de roupa durante a diligência da Policia Civil, que decretou a prisão temporária do casal. O vereador e a esposa devem permanecer presos durante, pelo menos, 30 dias.

O delegado Henrique Damasceno acredita que Jairinho foi o autor das agressões e que a mãe de Henry foi conivente com a violência. 'Não restam dúvidas, em relação aos elementos que nós temos, sobre a autoria do crime', admitiu o delegado em conferência de imprensa. Há "provas muito fortes, muito convincentes, a respeito da dinâmica e da participação de cada um deles no crime", garantiu Damasceno, responsável pela investigação.







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